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Thursday, June 17, 2010

Golfo do México: A Tragédia em Perspectiva

Hoje eu recebi um link para uma matéria do Uol Notícias falando sobre uma série de vazamentos na Nigéria que ocorre há 50 anos. Segundo a matéria, o volume de óleo chega a um Exxon Valdez ao ano! Fiquei absolutamente espantado com estes dados. Imagine o tamanho da tragédia diária enfrentada pela população da Nigéria há 5 décadas. Onde está a cobertura da mídia mundial sobre isso?




Certamente as empresas responsáveis pelos repetidos vazamentos por lá não estão sendo forçadas a criar fundos bilionários de assistência à população atingida ou o governo da Nigéria está determinando a interrupção de todas as atividades de perfuração de poços em suas bacias petrolíferas para avaliar o tamanho do problema e o que fazer frente a ele. é claro que há fatores atenuantes no caso africano, onde uma executiva do setor afirmou que 98% dos vazamentos são resultado de sabotagem ou roubo de equipamentos, mas isto não diminui a severidade do impacto.



O vazamento do Golfo do México - ou "Golfo da América", segundo o Stephen Colbert, âncora do programa de humor "The Colbert Report", que disse: "Se nós quebramos, então nós compramos!" - está com "apenas" 58 dias e não ficamos um dia sequer sem que os noticiários dediquem ao menos um segmento do jornal ao vazamento. O pior disso tudo é que dificilmente vamos saber o que causou o acidente. Minha opinião é que, assim como em acidentes aéreos, não houve uma única causa, mas sim uma série delas: o BOP (Blow Out Prevention) que falhou, os testes de pressão não realizados, a cimentação do poço que pode ter sido mal feita, os supostos problemas já conhecidos da sonda de perfuração que afundou entre outras tantas causas possíveis.



O fato é que as atividades de exploração e produção de óleo e gás em águas profundas e ultra-profundas exigem muita tecnologia de ponta e envolvem grandes riscos. Toda empresa de petróleo busca gerenciar a exposição ao risco através de diversas salvaguardas nas operações, mas desastres como este sempre podem ocorrer.

O que aprendemos nisso tudo é que a exposição ao risco ao perfurar no Golfo do México é muito maior que em outras partes do mundo, pois a visibilidade e o valor das reparações por acidentes estão mostrando que podem ameaçar a saúde financeira de qualquer empresa. O que eu antevejo é que haverá um aumento drástico no custo das operações no Golfo do México que irá, potencialmente, inviabilizar muitos projetos de desenvolvimento planejados e alguns em andamento. Por esta razão, minha expectativa é que as empresas de óleo e gás que operam no Golfo devem, a médio e longo prazo, deslocar uma parcela significativa dos investimentos futuros para outras áreas como as do pré-sal brasileiro, do território chinês e, porque não, da costa africana. Enquanto isso, na Nigéria...

Thursday, July 2, 2009

Exxon Valdez: Ainda uma dor de cabeça para a Exxon

Hoje, li com surpresa uma matéria no site da revista E&P que informa que este acidente ecológico, considerado a pior fase enfrentada pela empresa em 125 anos de existência, ainda traz dissabores para Exxon.

Para quem não lembra ou nunca soube, Exxon Valdez era o nome de um petroleiro da Exxon que se acidentou em 24 de março de 1989 no estreito de Prince William, no golfo do Alaska, EUA. Ele colidiu contra o recife de Bligh o que causou uma ruptura em seu casco resultando em um vazamento de óleo de cerca de 200 milhões de litros. Apesar de não ter sido nem de longe o maior derramamento de óleo registrado, ele é conhecido como o mais trágico deles porque ocorreu em um local bastante remoto e de ecologia frágil e foram necessários 3 anos para limpar a área.

Voltando ao artigo da E&P, o que mais me surpreendeu nele foi o fato que até hoje a Exxon não pagou as multas e punições associadas ao derramamento devido a embates na justiça sobre o valor a ser pago. Em 1996 a empresa foi condenada a pagar US$ 5 bilhões. Em 2006 esta quantia foi reduzida para US$ 2.5 bilhões após um apelo na justiça. Finalmente, em 2008, este valor foi reduzido para US$ 507.5 milhões e então a empresa iniciou os pagamentos.

Agora, uma corte de apelação federal decidiu que o valor do pagamento deve ser acrescido de juros no valor de US$

Friday, June 13, 2008

Lições que Ainda Não Aprendemos no ECO 92

Hoje eu recebi um vídeo sobre o discurso de uma menina, Severn Suzuki, então com 12 anos, no evento ECO 92, realizado no Rio em 1992. Achei bem interessante o discurso e vejo que, infelizmente, ele é tão verdadeiro hoje quanto era então. Hoje, segundo o Wikipedia, a Severn Suzuki está com 27 anos e é uma ativista ambiental, apresentadora de TV e autora. O vídeo de 1992 pode ser visto abaixo.

[youtube:http://youtube.com/watch?v=5g8cmWZOX8Q]

Monday, April 9, 2007

Origem Inorgânica do Petróleo?

No mundo do petróleo, existe um consenso de que o "ouro negro" é formado por uma combinação de matéria orgânica, pressão e calor, num processo de cozimento que leva milhões de anos para ocorrer, ou seja, trata-se de um combustível fóssil. Com esta visão, pode-se inferir que o estoque mundial de óleo é finito, pois o óleo que estamos consumindo hoje foi formado há milhões de anos e não podemos esperar outros milhões de anos para a geração de mais acumulações.

Acontece que, em 2005, dois pesquisadores, Jerome R. Corsi e Craig R. Smith, afirmam na obra "Black Gold Stranglehold: The Myth of Scarcity and The Politics of Oil" que o óleo é na verdade um produto inorgânico subproduto de reações químico-físicas da própria terra e que está sendo gerado continuamente pelo nosso planeta. A teoria em si não é nova, ela foi defendida anteriormente pelo cientista russo Prof. Nikolai Kudryavtsev na década de 50, que obviamente não teve sucesso em suas colocações.

O tópico é tão controverso que assume feições semelhantes às acaloradas discussões sobre o tema do aquecimento global, com defensores ferrenhos em ambas as frentes. Os autores do livro afirmam que se alguém mostrar que a ciência deles é falha, eles irão se silenciar, mas por enquanto isto não ocorreu e a polêmica permanece. Aos não iniciados no assunto, há um bom consenso que o petróleo é de fato um combustível fóssil e, portanto, finito. Já imaginou se em algumas décadas mais estudos mostrarem que estamos todos errados? Precisaríamos reescrever todos os nossos livros científicos!

Leia mais:
Forget everything you think you know about oil
'Black Gold' strikes Big Oil 'nerve'

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Monday, October 3, 2005

O que containers e hortaliças têm em comum?

Você sabia que ao longo da rodovia interestadual 95, na região do porto de Newark, Nova Jersey nos EUA existem literalmente dezenas de milhares de containers de aço empilhados abandonados para apodrecer? Eles estão numa situação inusitada, são baratos demais para serem enviados de volta para a ??sia, mas é caro demais derretê-los. Se você for como eu, vê um grande problema ambiental nesta situação.

Onde uma pessoa comum enxerga um monte de lixo, Lior Hessel vê uma oportunidade de negócios. Ele é o CEO da empresa OrganiTech, uma empresa de Wilmington, Delaware, que produz fazendas automatizadas para hortaliças onde a luz é artificial, a forma de cultivo é hidroponia e todas, absolutamente todas as etapas de produção são robotizadas. Uma vantagem adicional do método de Hessel é que suas plantas de produção são mantidas a pressão positiva referente ao meio ambiente o que diminui consideravelmente a quantidade de insetos que consegue entrar no sistema.


Entre seus objetivos está a construção de fazendas verticais, e os referidos containers parecem ser bons blocos de construção neste sentido. Nos EUA, 85% dos alfaces produzidos vem da região da Califórnia. O custo estimado de transporte de uma cabeça de alface de 1 libra da costa oeste para a costa leste é de 50 centavos de dólar. O custo de produção de seu sistema automatizado é de cerca de 27 centavos/cabeça contra os 18 centavos/cabeça da produção tradicional. Levando em conta os custos de transporte, a criação de fazendas automatizadas próximas aos centros consumidores torna o preço final atraente.

Nas palavras de Hessel:

"A agricultura é uma indústria de muitos desperdícios atualmente. Pode ser que a única maneira de fazer uma agricultura verdadeiramente sustentável é parar de cultivar as plantas e passar a fabricá-las."


é algo a se pensar, não?

Para Saber Mais:
No Green Acres? Try Skyscrapers

Monday, September 12, 2005

Salgando nossas fontes de água

Há anos que os EUA tem utilizado sal para manter suas numerosas estradas livres de gelo. Agora, estudos feitos na University of North Carolina mostram que este sal está contaminando as fontes de água potável.

As fontes perto de estradas mantidas com sal estão com um nível de salinidade 100 vezes maior que aquelas longe desses contaminantes. Nos piores casos, o nível de salinidade das fontes chega a 25% do observado na água do mar.

Se nada for feito, as fontes de água potável podem ficar imprestáveis para o consumo ainda neste século. Entre as soluções possíveis está a substituição do sal por areia. Um fator mencionado na pesquisa é que o aquecimento global está reduzindo os períodos em que o uso do sal é necessário, mas este fenômeno tem efeitos colaterais muito mais amplos e sérios.

Ou seja, cada vez mais observa-se que o impacto das ações do homem na direção de tornar sua vida mais confortável podem, em última análise, torná-la mais difícil.

Para Saber Mais:
Road salting makes streams more like seawater